Entenda os sintomas da depressão pós-parto. E ainda saiba: o que é, causas, consequências, tratamento e prevenção da doença.

 

Amar e cuidar do seu bebê parece algo natural.

Mas, infelizmente uma a cada quatro mães não conseguem desfrutar da maternidade de uma maneira tão fácil assim.

Elas sofrem com depressão pós-parto.

Esse é um número alto e você pode até estar pensando: como eu não encontro ninguém ou bem poucas mães que tenham tido ou estão com depressão pós-parto?

A resposta é simples: elas sofrem caladas.

Você consegue imaginar a dor dessas mães?

Por muito tempo a maternidade nos foi apresentada de uma maneira romantizada e irreal.

Hoje, ainda é um pouco assim.

Eu lembro de quando eu engravidei e as pessoas me falavam coisas do tipo: é só saber que está grávida e o amor já nasce, né?

E eu ficava pensando comigo: será que tem algo de errado comigo?

Porque eu estava tentando engravidar há um ano e engravidei justamente quando o meu marido ficou desempregado.

E eu estava um pouco ansiosa com a situação e aquele amor todo que as pessoas falavam eu ainda não reconhecia em mim.

E mesmo assim eu concordava com as pessoas e não admitia isso, envergonhada por ainda não sentir aquele amor.

Agora, imagina para uma mãe admitir que não sente esse amor pelo filho que acabou de nascer.

Ou de atribuir ao filho a culpa por algo de ruim que tenha acontecido durante a gestação ou no parto.

Não é algo fácil, eu não consegui admitir algo muito menor que isso.

Porque, afinal, uma mãe que não ama o filho é vista como uma mulher sem caráter ou até mesmo uma monstruosidade.

E isso, não é a verdade.

Ao longo desse artigo você irá entender as causas da depressão pós-parto e talvez consiga entender um pouco mais essas mulheres.

Pois, para não serem julgadas (e condenadas sem direito a defesa), essas mães acabam por esconder esses sentimentos e pensamentos.

Por consequência, não tratam a depressão pós-parto.

E, isso pode ter complicações sérias para a mãe e para o bebê.

 

O que é a depressão pós-parto?

A depressão pós-parto é uma condição de:

– profunda tristeza

– desespero

– falta de esperança

E acontecesse logo após o parto.

Existe também a psicose pós-parto.

É a forma mais grave de depressão pós-parto.

É mais raro de acontecer.

Mas, é uma condição muito mais agressiva.

Nesse caso, a mulher pode chegar a ter alucinações e desorientação.

 

O que causa a depressão pós-parto?

 

É claro que não existe uma causa única para a depressão pós-parto.

Ela envolve muitos fatores, como:

– físicos

– emocionais

– estilo e qualidade de vida

– histórico de outros problemas e transtornos mentais.

Mas, a principal causa da depressão pós-parto é o desequilíbrio hormonal que ocorre nesse período.

 

Outros fatores podem influenciar no aparecimento da depressão pós-parto:

privação do sono

– isolamento

– alimentação inadaqueda

sedentarismo

– falta de apoio do parceiro, família e amigos

– vícios (álcool, drogas, medicamentos)

 

22 sintomas da depressão pós-parto

 

Os sintomas aparecem de 3 a 4 semanas após o parto.

Se você está tendo ou conhece alguém que tenha alguns dos sintomas a seguir, procure ajuda de um médico.

É muito importante que a depressão pós-parto seja tratada logo.

Pois, as consequências são ruins para o bebê e para a mãe.

Então, fique de olho e cuide de você e de quem você ama.

 

Principais sintomas:

  1. Sentimento de incapacidade de lidar com situações novas, que não existia antes.
  2. Perda de interesse ou prazer nas atividades diárias, nas coisas ou pessoas que se interessava antes.
  3. Pensamento de morte ou suicídio
  4. Vontade súbita de prejudica ou fazer mal ao bebê
  5. Perda ou ganho de peso
  6. Irritabilidade
  7. Choro frequente
  8. Sentimento de desamparo e desesperança
  9. Diminuição da energia e motivação
  10. Desinteresse sexual
  11. Transtornos alimentares
  12. Transtornos do sono
  13. Ansiedade
  14. Vontade de comer mais ou comer menos
  15. Dormir muito
  16. Insônia
  17. Inquietação
  18. Indisposição constante
  19. Cansaço extremo
  20. Sentimento de indignação ou culpa
  21. Dificuldade de concentração e tomada de decisões
  22. Excesso de preocupação

 

 

Na psicose pós-parto, a forma mais grave de depressão pós-parto os sintomas são mais preocupantes.

Então, procure ajuda médica muito rápido se você perceber que algum desses sintomas estejam acontecendo:

– desconexão com o bebê e com as pessoas

– sono perturbado, até mesmo quando o bebê está dormindo

– pensamento confuso e desorganizado

– vontade extrema de prejudicar ou fazer mal ao bebê, a si mesma ou a qualquer outra pessoa

– mudanças drásticas de humor e comportamento

– alucinações (visuais, auditivas e/ou olfativas)

– pensamentos delirantes e irreais

 

Será que estou com depressão pós-parto?

 

Você pode estar querendo saber um pouco mais sobre os sintomas da depressão pós-parto porque talvez você esteja com receio de estar passando por isso.

É muito importante você saber que a maioria das mães passam por um período de melancolia após o parto.

É o chamado baby blues.

Isso acontece já nos primeiros dias do bebê em casa e pode durar no máximo 1 mês.

Isso é bem comum e não é a depressão pós-parto.

Mas, se você apresentar outros sintomas, procure ajuda médica.

 

Quais as consequências da depressão pós-parto?

Você já deve ter percebido que constantemente eu peço para você procurar ajuda médica.

Eu faço isso porque existem consequências da depressão pós-parto que são de longo prazo.

Talvez agora você não perceba.

Mas, o bebê sofre junto com a mãe.

 

A depressão pós-parto prejudica o vínculo mãe e bebê.

E esse vínculo é essencial para os dois.

Tanto para o desenvolvimento saudável do bebê quanto para saúde emocional e psíquica da mãe.

No caso da quebra desse vínculo, as consequências podem ser as seguintes:

– dificuldades afetivas – na infância e adolescência

– perdas no desenvolvimento social – na infância e adolescência

– perdas no desenvolvimento cognitivo – na infância e adolescência

– diminuição da amamentação

 

Além disso, a depressão pós-parto pode trazer outras complicações:

calendário de vacinação atrasado

– bebê com baixo peso

– transtornos psicomotores do bebê

– dificuldade financeira

– filho com dificuldade de dormir e comer

– criança que faz birras

– criança hiperativa

– atraso na linguagem

 

Quem tem mais chance de ter?

 

Algumas mulheres tem uma pré-disposição maior para ter a depressão pós-parto.

Mas, qualquer mãe pode passar por isso.

E, é sempre bom lembrar, que a depressão pós-parto é uma doença e nada tem a ver com falta de caráter.

Os fatores de risco para a depressão pós-parto são:

– histórico anterior de depressão pós-parto

– falta de apoio do parceiro e família

– estresse, problemas financeiros ou familiares

– gravidez não planejada

– limitações físicas – de antes, durante ou após o parto

– ter tido depressão antes de engravidar ou na gravidez

– transtorno bipolar

– histórico de Desordem Disfórico Pré-menstrual, que é a forma mais grave de TPM

– violência doméstica

– vícios (álcool, drogas e medicamentos)

 

Talvez você não saiba.

Mas, o pai também pode sofrer de depressão pós-parto.

É bem mais raro.

Mas, o homem pode se sentir incapacitado de educar e sustentar um filho.

E, achar que não consegue apoiar a mãe e acabar apresentando os sintomas também.

É claro que não é tão comum.

Pois, a pressão maior ainda é em cima da mãe.

 

Como é feito o diagnóstico?

 

O diagnóstico é sempre feito pelo médico.

Ele é feito a partir da observação dos sintomas.

Que devem ter aparecido até 4 semanas após o parto.

Por isso, é muito importante você conversar com o seu médico sobre o que você está sentindo.

Não tenha medo de julgamentos.

A depressão pós-parto é uma doença que precisa ser tratada o quanto antes.

Se o seu médico conseguir identificar em seguida os sintomas de depressão pós-parto, ele vai encaminhar você ao psiquiatra.

Sempre quanto antes melhor.

 

Como é tratada a depressão pós-parto?

 

O tratamento é individual e de acordo com cada caso.

Afinal, são vários sintomas e cada mulher vai apresentar mais de uns e menos de outros.

É de extrema importância o apoio da família e dos amigos.

Não é fácil admitir a depressão pós-parto, nem os sentimentos ruins que ela traz.

Então, a compreensão da família é fundamental.

E só vai fazer bem para o bebê e para a mãe.

Geralmente o tratamento é feito em conjunto com a terapia.

Em alguns casos o tratamento hormonal também se faz necessário.

 

Como faço para prevenir?

 

A prevenção sempre é o melhor remédio.

Existem coisas que estão fora de nosso alcance.

As circunstâncias da vida é uma delas.

É claro que você leva a vida da melhor maneira possível.

Mas, algumas vezes nós puxamos o nosso próprio tapete porque estamos sempre insatisfeitas com o que temos.

A vida já não é muito fácil.

E a vida com um bebê pode ser um pouco mais difícil.

Então, faça o que estiver ao seu alcance para facilitar tudo.

Confira algumas dicas:

 

Não romantize a maternidade: esteja preparada

 

Eu sei que é um sonho e lindo.

Mas, a vida de uma mãe não é fácil.

A amamentação é um sacrifício diário.

As noites são mal dormidas.

As tarefas só acumulam.

E o dinheiro acaba rapidinho com tantos produtos e itens que o bebê usa.

Além do mais, você não tem mais tanto tempo para o seu parceiro.

Então, esteja preparada para o que você vai enfrentar.

A decepção de um bebê chorão ou um parto difícil pode te levar a sentimentos ruins.

Uma opção é fazer um curso que te prepare para esse momento.

Você vai tirar as suas dúvidas e saber o que vai enfrentar no dia-a-dia.

 

Tenha uma rede de apoio

 

Não tenha vergonha e orgulho.

Você vai precisar de ajuda.

Talvez a fralda não tenha sido trocada na hora que você queria.

E deixaram o bebê dormir mais tempo do que deveria.

Mas, mesmo com algumas diferenças, a sua família e amigos podem ser uma solução para o seu descanso.

Pois, você vai precisar de um pouco disso para manter a mente em ordem.

 

Durma

 

A louça e a roupa podem ficar para depois.

O chão não está tão sujo assim.

Quando o bebê dormir, durma também.

O seu descanso é muito importante e você vai precisar estar bem para cuidar do seu bebê.

 

Faça algo que você goste

 

Sei que isso pode não ser uma prioridade.

Mas, faça uma pequena coisa que você goste por dia.

Pode ser ler só uma página de um livro.

Ou assistir um episódio de uma série.

Ou sentar e olhar a vista da sua janela.

Qualquer coisa que te faça bem.

Você precisa lembrar quem você é além de mãe.

Nem que seja por alguns minutos.

 

Exercite-se

 

Sei que você pode estar pensando que é loucura minha.

Mas, se você gosta de se exercitar, esse pode ser aqueles minutos do dia que são só seus.

Se você não gosta tanto, saiba que existem exercícios rápidos, pensados na mãe mesmo.

Você pode fazer em 10 a 15 minutos.

Vale a pena.

Pois, você vai ficar mais disposta para enfrentar o dia de mãe.

 

Coma bem

 

Coma bem e de maneira saudável.

Eu sei que nós, mães, somos famosas por comer comida gelada.

Afinal, a prioridade é sempre do bebê.

Mas, procure se alimentar bem e coma nutrientes variados.

Mesmo que você tenha que esquentar tudo de novo.

 

Se você estiver bem, vai cuidar melhor do seu bebê

Lembre-se sempre disso: você é prioridade também.

Eu sei que vem um sentimento de culpa.

Mas, não pense assim.

Você precisa estar bem e muito bem cuidada para poder cuidar bem do seu bebê e da sua família.

 

Espero que você esteja bem e que eu tenha conseguido tirar as suas dúvidas.

Conte conosco e bem-vinda ao mundo da maternidade.

 

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